Baião de Dois

"Capitão que moda é essa, deixe a tripa e a cuié
Home não vai na cozinha, que é lugá só de mulhé
Vô juntá feijão de corda, numa panela de arroz
Capitão vai já pra sala, que hoje têm baião de dois


Ai, ai ai, ó baião que bom tu sois
Se o baião é bom sozinho, que dirá baião de dois
Se o baião é bom sozinho, que dirá baião de dois
Ai ai, baião de dois, ai ai, baião de dois


Capitão que moda é essa, deixe a tripa e a cuié
Home não vai na cozinha, que é lugá só de mulhé
Vô juntá feijão de corda, numa panela de arroz
Capitão vai já pra sala, que hoje têm baião de dois


Ai, ai ai, ó baião que bom tu sois
Se o baião é bom sozinho, que dirá baião de dois
Se o baião é bom sozinho, que dirá baião de dois
Ai ai, baião de dois, ai ai, baião de dois"
(Luíz Gonzaga e Humberto Teixeira)

Baião de Dois é muito bom. Seja na mesa ou na pista de dança, bailando em um forró arretado do Mestre Luís Gonzaga. O ideal é estar acompanhado. Na mesa, até dá para saboreá-lo sem nenhum acompanhamento, mas no forró... impossível.


Baião de Dois é um prato tipicamente nordestino e sua origem vem do Ceará. É um prato onde a base é o feijão e o arroz. O Mestre Luíz Gonzaga, junto com Humberto Teixeira popularizou o prato em um forró.


O ideal é utilizar os ingredientes originais, como o feijão de corda, o queijo coalho e a manteiga de garrafa. Aqui, só não encontrei a manteiga de garrafa, que substitui por azeite.

O prato é fácil de ser feito e não requer muito tempo nem muito trabalho. Você vai precisar de 1/2 quilo de feijão de corda ou feijão verde. Caso não encontre, pode ser substituído por feijão mulatinho ou carioquinha. Nesse caso, você precisará cozinhar em panela de pressão.

Além do feijão de corda, pode separar um paio picado em rodelas, dois tabletes de caldo de bacon, duas folhas de louro. 250 gramas de linguiça calabreza defumada cortada em rodelas, 50 gramas de bacon cortado em cubos pequenos, coentro fresco picado que chegue, cebolinha picada que chegue, 1 cebola picadinha, dois dentes de alho socados, pimenta do reino que chegue, 1 xícara de arroz lavado, 4 colheres de sopa de azeite e 150 gramas de queijo coalho.

Coloque o feijão de molho na água de véspera.

Para começar a preparar o Baião de Dois, cozinhe o feijão de corda em uma panela com 2 1/2 litros de água, o paio, o louro e os cubos de caldo de bacon por aproximadamente 1 hora em fogo baixo. Quando já estiver quase completado essa hora, frite o bacon em sua própria gordura e reserve. Aproveite a gordura do bacon e frite a linguiça calabreza defumada e reserve. Em outra panela, esquente o azeite e refogue a cebola e o alho (colocando o alho uns 2 minutos após a cebola). Junte a pimenta do reino, o coentro e o arroz. Refogue até o arroz ficar transparente. Acrescente o bacon e a linguiça e misture tudo. Junte o feijão com o paio e o caldo, mexa bem e deixe cozinhar em fogo médio até a água secar e o arroz já estiver cozido, úmido e cremoso.


Corte o queijo coalho em fatias e quando o Baião de Dois já estiver pronto, arrume-o na panela e tampe, para que o calor derreta o queijo. Sirva quente.


Você pode acompanhar o Baião de Dois com Costela de Boi ou de Porco, Picanha, Carne Assada, ou simplesmente, saboreá-lo como único prato.

Pode também prepará-lo utilizando carne sêca dessalgada. Pode ainda reduzir a quantidade de feijão e aumentar a de arroz. Eu optei em fazer o prato com mais feijão e acompanhá-lo com uma saborosa Costela de Boi no Bafo (Receitas de Costela).


"Se você for ao Nordeste,
Lá pras bandas do Ceará
Uma comidinha típica
Quero lhe apresentar
É o nosso baião-de-dois
Garanto que vai gostar.

É um saboroso prato,
Que vale a pena provar,
Tem uma receita simples
Até posso lhe ensinar
Pois comi muito baião
E aprendi a preparar.

Pegue o feijão de corda,
Sendo verde ou maduro.
Cozinhe numa panela,
Não deixe mole nem duro.
Estando cozido e inteiro,
Fica bom lhe asseguro.

Numa panela a parte,
Refoga com alho o arroz.
Estando bem refogado,
Jogue o feijão depois.
Em seguida ponha água
Que baste ao baião-de-dois.

Não esqueça de refogar
Com a manteiga da terra.
Pedaços de queijo de coalho
Quem usa a receita não erra.
Coentro use a vontade,
E assim a receita encerra.

O queijo e o coentro
Entram na parte final.
Se souber acertar o ponto
É um prato sem igual.
Se você for bem guloso,
Vai comer de passar mal.

Esta comida simples
É o xodó do meu sertão
Dela come o pobre o rico,
O empregado e o patrão
Garanto que nem doido,
Dispensa o nosso baião.

O cearense deixa seu lar
Mas leva no coração,
Os sabores de sua terra,
Que é sua maior paixão.
Não esquece a rapadura,
Queijo de coalho e baião."

*
Texto: Dalinha Catunda
Visite: www.cantinhodadalinha.blogspot.com

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