Flash Mob e o Palácio Quitandinha em Petrópolis

O vento
Por: Manoel de Barros

"Queria transformar o vento.
Dar ao vento uma forma concreta e apta a foto.
Eu precisava pelo menos de enxergar uma parte física
do vento: uma costela, o olho...
Mas a forma do vento me fugia que nem as formas
de uma voz.
Quando se disse que o vento empurra a canoa do
índio para o barranco
Imaginei um vento pintado de urucum a empurrar a
canoa do índio para o barranco.
Mas essa imagem me pareceu imprecisa ainda.
Estava quase a desistir quando me lembrei do menino
montado no cavalo do vento - que lera em
Shakespeare.
Imaginei as crinas soltas do vento a disparar pelos
prados com o menino.
Fotografei aquele vento de crinas soltas."


De acordo com a Wipipédia, Flash Mobs são aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação inusitada previamente combinada, estas se dispersando tão rapidamente quanto se reuniram. A expressão geralmente se aplica a reuniões organizadas através de e-mails ou meios de comunicação social.



Um exemplo de Flash Mob

Em Petrópolis, uma desastrada orientação do SESC, que proibia que fossem tiradas fotografias com equipamentos que eles considerassem profissionais sem a prévia identificação e autorização da entidade, originou em um Flash Mob fotográfico articulado no Facebook, após um caso ter sido noticiado no jornal Tribuna de Petrópolis do dia 21 de janeiro de 2012.

O fato gerou indignação, comentários e brincadeiras na rede social e logo mobilizou centenas de pessoas.

O Flash Mob foi marcado para o sábado seguinte, dia 28 de janeiro e ao longo da semana, chegou ao conhecimento de 9.772 pessoas na rede, sendo que dessas, 810 confirmaram participação no evento.

No dia 25 de janeiro, já eram quase 500 pessoas que aderiam ao movimento, chamadas em jornais de grande circulação e em tele-jornais. A pressão fez com que a entidade se posicionasse liberando as fotografias e chamou a atenção da promotoria que agora investiga se houve abuso por parte do SESC.

No sábado, dia 28 de janeiro, realizamos o Flash Mob, que mobilizou em torno de 50 pessoas... dessas, um tanto parou e ficou até o final, outro tanto parou e ficou um pouco de tempo e outro tanto passou, tirou sua foto e partiu.








A partir dessa experiência, reflito sobre alguns pontos:
  1. O poder do cidadão: O manifesto foi convocado e articulado por todos os que se sentiram incomodados com a história. Não havia uma pessoa, um partido ou uma instituição ou entidade liderando. Não havia um rosto, mas pelo menos, 810 rostos;
  2. O poder da rede: Já se falou muito sobre isso... é fato;
  3. O cuidado das organizações: Vivemos em um momento em que precisamos ter cuidado com nossos posicionamentos e orientações, principalmente quando elas têm impacto sobre as pessoas e a coletividade. Esse cuidado precisa ser redobrado no caso das organizações, pois uma manifestação como essa pode prejudicar consideravelmente a imagem da organização diante da opinião pública, trazendo prejuízos aos seus negócios ou aos seus objetivos.
Foi uma experiência interessante e quisera pudesse ser modelo para outras bandeiras e outros grupos que se sintam de alguma forma prejudicados.

Algumas palavras que em minha opinião, resumem:

A T I T U D E
C O L E T I V I D A D E
L I B E R D A D E
P O D E R
C R I A T I V I D A D E


Aquele dia amanheceu cinza... cinza e difuso. Estava molhado também. Fotografar o difuso pode ser o mesmo que fotografar o mistério, registrar o que não vemos na imagem mas que pode estar ali. Cabe tudo no difuso. Nesse dia, fotografei o difuso.




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