Brasileirança, ou Costela de Porco na Cerveja Preta, Açúcar Mascavo e Ervas, acompanhado de Risoto de Carne Seca com Abóbora


Motivo
(Cecília Meireles)

"Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada."


O domingo amanheceu tardio, ainda indeciso se chovia ou ensolarava. E na dúvida, sol e chuva, celebrando casamento de viúva.

Mas o almoço já ia adiantado desde as vésperas. A Costela de Porco harmonizou durante toda a noite na Marinada preparada com 1 garrafa long neck de Cerveja Preta, Açúcar Mascavo a gosto, Pimenta do Reino a gosto e Ervas (Alecrim, Hortelã, Estragão, Salsinha e Tomilho) a gosto. Arrumei a Marinada em um pirex que coubesse a peça de Costela de Porco.

A Carne Seca, um pedaço de aproximadamente 100 gramas de Lombo Salgado, ficou de molho na água para dessalgar um pouco.

Já com o dia pela metade, os ingredientes de Brasileirança começaram a ser preparados.


O forno foi aquecido em fogo alto por 10 minutos. A  Costela de Porco foi retirada da Marinada e foi untada com Azeite de Alecrim, em todos os seus lados. Esfregou-se a Flor de Sal a gosto e foi salpicado Pimenta do Reino moída na hora, também a gosto.

A Costela de Porco foi arrumada em um pirex com um pouco do caldo da Marinada no fundo. O pirex foi coberto com papel alumínio e levado ao forno (180° - 220°) por 1 hora.

Ao final, o papel alumínio foi retirado e a cada 15 minutos (completando uma hora), as Costelas de Porco foram viradas no pirex, para que pudessem assar de ambos os lados e sempre regando com o caldo da Marinada.

Ao final das duas horas no forno, as Costelas de Porco já estavam douradas e assadas, mas ficaram mais 10 minutos no forno, com a temperatura um pouco mais alta.

O Risoto de Carne Seca e Abóbora, foi preparado com duas xícaras de Arroz Arbóreo, 1/2 Cebola Orgânica fatiada, duas colheres de sopa de Manteiga, 100 gramas de Carne Seca desfiada, 150 gramas de Abóbora Orgânica cozida, 50 gramas de Bacon picado, Salsinha a gosto, Pimenta do Reino a gosto e 100 gramas de Queijo Parmesão ralado.



A Carne Seca foi preparada na panela de pressão com louro, até que ficasse macia e desfiando facilmente. E a abóbora, foi cortada em pedaços pequenos e cozida no vapor. Quando ficou pronta, foi amassada grosseiramente, para que restassem pedaços grandes e inteiros.

Em uma panela, usou-se a própria gordura do bacon para deixá-los dourados. Após pronto, foi reservado para serem adicionados ao tempero do Risoto.

Em outra panela, derreteu-se uma colher de sopa de manteiga e refogou-se a cebola até que ela ficasse transparente. Adicionou-se o bacon e a pimenta do reino, misturando sempre com uma colher de pau. Em seguida, a carne seca foi adicionada ao refogado (reservando um pouco da carne seca desfiada para o acabamento do prato) para uma leve dourada, misturando sempre. O arroz foi adicionado e misturado ao refogado e após dourar levemente, juntou-se a abóbora e misturou-se tudo e logo em seguida, foi adicionado água quente para o cozimento em fogo médio e acertado o sal, usando a Flor de Sal.

A água quente foi adicionada de tempos em tempos e sempre mexendo para não agarrar no fundo da panela.

Quando o Risoto chegou no ponto, com a água quase seca, desligou-se o fogo e se acrescentou-se o restante da manteiga, o queijo ralado e a salsinha e misturou-se tudo, deixando na panela fechada até o momento de ser servido.

Para o acabamento do prato, se derreteu uma colher de sopa de manteiga em uma panela e adicionou-se a carne seca reservada, deixando-a torrar levemente para que ficasse crocante.

Os pratos foram arrumados antes de irem à mesa, com um pedaço de Costela de Porco na Cerveja Preta, Açúcar Mascavo e Ervas e com uma poção do Risoto de Carne Seca com Abóbora, salpicado com a Carne Seca torrada.




"Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A gente era o que quisesse ser só usando esse advérbio. Assim, por exemplo: tem hora que eu sou quando uma árvore e podia apreciar melhor os passarinhos. Ou: tem hora que eu sou quando uma pedra. E sendo uma pedra eu posso conviver com os lagartos e os musgos. Assim: tem hora eu sou quando um rio. E as garças me beijam e me abençoam. Essa era uma teoria que a gente inventava nas tardes. Hoje eu estou quando infante. Eu resolvi voltar quando infante por um gosto de voltar. Como quem aprecia de ir às origens de uma coisa ou de um ser. Então agora eu estou quando infante."
(...)

[Manoel de Barros - Memórias inventadas: a segunda infância ]

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