Cannelloni de Ricota com Funghi, Molho de Mostarda e Iscas de Filé Mignon


"Passei entre eles estrangeiro porém nenhum viu que eu o era. Vivi entre eles espião, e ninguém, nem eu, suspeitou que eu o fosse. Todos me tinham por parente: nenhum sabia que me haviam trocado à nascença. Assim fui igual aos outros sem semelhança, irmão de todos sem ser da família.
Vinha de prodigiosas terras, de paisagens melhores que a vida, mas das terras nunca falei, senão comigo, e das paisagens, vistas se sonhava, nunca lhes dei notícia. Meus passos eram como os deles nos soalhos e nas lajes, mas o meu coração estava longe, ainda que batesse perto, senhor falso de um corpo desterrado e estranho.
Ninguém me conheceu sob a máscara da igualha, nem soube nunca que era máscara, porque ninguém sabia que neste mundo há mascarados. Ninguém supôs que ao pé de mim, estivesse sempre outro, que afinal era eu. Julgaram-me sempre idêntico a mim.
Abrigaram-me as suas casas, as suas mãos apertaram a minha, viram-me passar na rua como se eu lá estivesse; mas quem sou não esteve nunca naquelas salas, quem vivo não tem mãos que os outros apertem, quem me conheço não tem ruas por onde passe, a não ser que sejam todas as ruas, nem que nelas o veja, a não ser que ele mesmo seja todos os outros.
Vivemos todos longínquos e anónimos; disfarçados, sofremos desconhecidos. A uns, porém, esta distância entre um ser e ele mesmo nunca se revela; para outros é de vez em quando iluminada, de horror ou de mágoa, por um relâmpago sem limites; mais para outros ainda é essa a dolorosa constância e quotidianidade da vida.
Saber quem somos não é connosco, que o que pensamos ou sentimos é sempre uma tradução, que o que queremos o não quisemos, nem porventura alguém o quis - saber tudo isto a cada minuto, sentir tudo isto em cada sentimento, não será isto ser estrangeiro na própria alma, exilado nas próprias sensações?"
(Fernando Pessoa - Livro do Desassossego, 433)
Uma longa jornada... já vão quatro meses de ausência e nesse tempo, o mundo girou. Quem eu o era ficou parado na esquina e eu segui.


A ideia seria subir uma montanha. Ir no Véu da Noiva, talvez Mas choveu... Pensei então, em fazer um Cannelloni de Ricota com Espinafre para Cristiana... mas não tinha espinafre no mercado em que estava. Resolvi arriscar com o Funghi. Delicioso!!!


Mais um prato rápido e fácil de ser preparado.

Molho de Mostarda

Separe uma colher e meia de sopa de suco de Limão, 3 colheres e meia de sopa de Mostarda tipo Dijon, nove colheres de sopa de Creme de Leite Fresco, Pimenta do Reino a gosto, Sal a gosto e raspas de casca de Limão a gosto.

Em uma vasilha, misture todos os ingredientes e mexa. Prove o sal. Reserve.

Iscas de Filé Mignon

Você vai precisar de meio quilo de Filé Mignon, uma colher de sopa de Manteiga, Flor de Sal a gosto e Pimenta do Reino a gosto.

Corte o filé em iscas e tempere com a pimenta do reino. Deixe descansar por pelo menos meia hora.

Em uma panela (usei a mesma panela em que fritei o bacon do recheio do cannelloni), derreta a manteiga e doure as iscas de filé mignon.

Coloque em um pirex, salpique a flor de sal e leve ao forno pré-aquecido, em temperatura de 180º por 20 minutos. Reserve.

Cannelloni de Ricota com Funghi

Para duas pessoas, vamos precisar de seis Cannellonis, um pacote de Ricota de Búfala, cem gramas de Cogumelo Funghi seco cortado em pedaços pequenos, um copo de Vinho Tinto, cem gramas de Bacon cortado em pedaços pequenos, Pimenta do Reino a gosto e Sal a gosto.

Em uma vasilha, hidrate o cogumelo funghi com o vinho por meia hora.

Frite o bacon em sua própria gordura.

Misture a ricota com o cogumelo funghi, o bacon, a pimenta do reino e o sal.

Em uma panela com água fervendo, coloque a massa de cannelloni e mexa por um minuto. Coloque sal a gosto e deixe cozinhar por mais 4 minutos, mexendo de vez enquando.

Escorra o cannelloni e recheie com a ricota.

Em um pirex, arrume as massas de cannelloni recheadas, cubra com o molho de mostarda e salpique queijo parmesão ralado. Leve ao forno pré-aquecido, com temperatura de 180º por 20 minutos.





"É em ti que moro
e vivo
que visito os horizontes
águas
serras
montes
que trazes no teu olhar
Se tu és fogo
tempo
e luz
Eu sou o mar"
(Edgardo Xavier)


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