Ingredientes de um domingo de verão, ou... Omelete de Forno de Berinjela e Funghi


Poesias escolhidas por Ferreira Gullar, Flor de Capuchinha colhidas em minha jardineira, Tomates Cereja, Cogumelos Funghi, Arroz 10 Grãos, Alface colhido em minha horta, Cenoura, Berinjela, Batata, Cebola, Alho, Pimenta do Reino e Azeite...

Usei quase todos os ingredientes para a receita desse domingo de verão. Comecei com a poesia:
Não há nunca testemunhas. Há desatentos. Curiosos, muitos.
Quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?
Se morro de amor, todos o ignoram
e negam. O próprio amor se desconhece e maltrata.
O próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;
não está certo de ser amor, há tanto lavou a memória
das impurezas de barro e folha em que repousava. E resta,
perdida no ar, por que melhor se conserve,
uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.
 - Carlos Drummond de Andrade: Tarde de Maio (trecho)
Mas fui descartando alguns e acrescentando outros.


Para o Omelete de Forno com Berinjela e Cogumelos Funghi, usei: dois Ovos, meia colher de sobremesa de Fermento, Pimenta do Reino a gosto, uma Berinjela, dois Cogumelos Funghi grandes, um pouco de Mussarela ralada e um pouco de Alecrim fresco.


Tirei a casca da berinjela e cortei-a em lâminas finas. Depois, levei ao fogo para cozinhar levemente no vapor. O tempo necessário para que ela fique ao dente. Reservei.

Cortei os cogumelos funghi com a tesoura, em pedaços pequenos. Reservei.

Bati os ovos com o fermento, a pimenta do reino e o alecrim. Reservei.

Untei uma tigela de barro com manteiga e arrumei uma camada das lâminas de berinjela. Em seguida, uma camada de cogumelo funghi. Salpiquei com mussarela ralada. Como a tigela era pequena, repeti mais uma camada de lâminas de berinjela e cogumelos funghi. Adicionei os ovos batidos, ajeitando com cuidado com a colher para que penetrasse bem por toda a tigela. Salpiquei mais um pouco de mussarela ralada e levei ao forno, em temperatura de 250º. Deixei assar até que a mussarela estivesse um pouco dourada. 


Para acompanhar, preparei Arroz 10 grãos, Purê de Batata (mas ao invés de leite, usei creme de leite fresco) e uma salada - feita com alface de minha horta, flor de capuchinha colhida em minha jardineira (as primeiras flores) e tomate cereja, temperada com azeite, pimenta do reino e parmesão ralado.


Porque sentir é, para nós, dissipar-se;
exalamos nosso ser; e de uma flama a outra
nosso odor desvanece. Às vezes nos dizem:
"estais em meu sangue, esta primavera, este
quarto, estão cheios de ti". Tentam nos reter. Em vão!
Nos dissipamos. E aqueles que a beleza
ilumina, ah, quem os deterá? Incessantemente
a aparência em seu rosto se dissipa. Como da erva o orvalho matinal
ou o calor dos alimentos, o que é nosso se evapora,
se perde... Oh sorrisos, para onde? Olhar erguido,
onda ardente e nova que do coração escapa.
Ai, assim somos! Estará o universo impregnado
de nós, já que nele nos dissipamos? E os Anjos
retomarão apenas o que deles emanou?
Pode ser que, por descuido, algo de humano se descubra
em seus traços como o indefinível no rosto das mulheres grávidas.
Eles, porém, de nada suspeitam, presos ao turbilhão
da volta a si mesmos. (Como o saberiam?)
- Rainer Maria Rilke: Segunda Elegia (trecho)


 






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