Abóbora Moranga com Gorgonzola e Açafrão... ou, Poesia e Luta em um dia amanhecido


"Em 15 de março de 1985, acaba a ditadura e tem início o maior período contínuo de democracia do país. Hoje, segmentos da sociedade nas redes sociais, setores da mídia e da oposição convocam uma manifestação cujo mote é interromper um mandato presidencial iniciado há só dois meses e meio. Manifestações contrárias ou a favor do governo são legítimas. O golpismo não.
Esta é, sem dúvida, a mais grave ameaça à democracia brasileira em três décadas. Esses segmentos vivem como se estivessem em 1954 e 1964, quando movimentos autoritários usurparam a soberania popular e apearam governos. Não entendem o quanto o Brasil mudou.
Nossa democracia é respeitada em todo o mundo. Foi por meio desse regime que construímos um Brasil que organizou sua economia, criando as bases para um virtuoso ciclo de crescimento com inclusão social."
O dia me chegou amanhecido, polarizado entre a luta e a poesia:

Luta, porque passamos por momentos obscuros, onde elites decadentes pretendem impor seus modelos, também decadentes, através do golpe. Já que não o conseguem por dentro do jogo.

Poesia, porque borboletas batem suas asas em algum canto, liberando ventos que bagunçam meu avesso e universos de bicicletas revelam belezas iluminadas na Lua. Adormeço e amanheço com a Lua.

Assim que te quero amor
Pablo Neruda
É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.





Fiz um prato com alma de TERRA... sempre acho que quando usamos açafrão na receita, estamos nos aproximando do sagrado TERRA. Não tenho nenhuma explicação para isso, é apenas uma sensação, um querer, e talvez, um rito auto-estabelecido.

Abóbora Moranga com Gorgonzola e Açafrão... ou, Poesia e Luta em um dia amanhecido.

Separei uma Abóbora Moranga pequena, Alho e Cebola para o refogado, Azeite, Pimenta do Reino, Sal, Queijo tipo Gorgonzola, Açafrão, Creme de Leite fresco e Queijo tipo Parmesão ralado, para gratinar.

Não quis cozinhar a abóbora inteira, pois desejava a casca dura. Cortei o tampo (grande o suficiente para eu poder raspar por dentro a abóbora). Raspei a abóbora por dentro, as vezes fazendo cortes com a faca, as vezes raspando com a colher, sem aproximar muito da casca, mas tirando polpa suficiente para preparar a abóbora.



Cozinhei a abóbora no vapor. Depois, em outra panela, refoguei a cebola por um minuto no azeite e acrescentei o alho. Quando ficou levemente dourado, juntei um pouco de pimenta do reino moída na hora e misturei. Acrescentei a abóbora e misturei. Coloquei um pouco de água e acrescentei o açafrão, mexendo sempre. Coloquei um pouco de sal e misturei.

Desliguei o fogo e acrescentei o queijo tipo gorgonzola, mexendo para ele derreter. Adicionei o creme de leite e mexi. Reservei.

Derramei a abóbora com gorgonzola e açafrão dentro da moranga e salpiquei o queijo tipo parmesão ralado e levei ao forno para incorporar todos os queijos e gratinar.



Hoje não coloquei medidas. Penso que, a partir do tamanho da abóbora moranga escolhida, os ingredientes deverão ser utilizados a gosto.

Para acompanhar, fiz Arroz 10 Grãos, Lentilha e Salada de Folhas (alface, rúcula e espinafre) com Molho de Laranja.

Molho de Laranja:

Meia xícara de suco de laranja
Quatro colheres de sopa de azeite
Uma colher de chá de mostarda
Uma colher de chá de mel
Sal a gosto
Pimenta do reino a gosto

Misture tudo utilizando a colher de arame.





“Ela virá, a revolução conquistará a todos o direito não somente ao pão mas, também, à poesia”.
“A vida é bela. Que as futuras gerações a livrem de todo mal e opressão, e possam desfrutá-la em toda sua plenitude”.
Leon Trotsky

Nada É Impossível De Mudar
Bertolt Brecht
Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito
como coisa natural.
Pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural.
Nada deve parecer impossível de mudar.





Tive apenas meia capuchinha para decorar o prato. Tulipa, assim como eu, também come flores. Uma amiga me disse que comer flores faz brotar do peito flores sem fim, derramando cor e aroma no mundo.

Comentários

Postagens mais visitadas