Ode ao Vinho e ao Alecrim


Alecrim e Vinho... a base da receita.

Não a preparei hoje, mas a mais de um ano, quando ainda comia carne, quando ainda escrevia outros sonhos, quando outras águas corriam em meus rios. Estava guardada nos rascunhos esperando descobrir o que fazer: apagar ou publicar... resolvi publicar, com algumas partes revisadas.


Os temperos de base não foram pensados por seus significados e lendas. A escolha foi aleatória. Somente depois, quando a preparávamos, percebemos que o Alecrim e o Vinho estavam presentes em todos os pratos escolhidos: salada de pão com rúcula, pernil no vinho com alecrim e schiacciata toscana, ou, pão chato toscano.

Preparar uma receita tem magia, tem sedução, tem amor, tem paixão, tem entrega, tem lendas, tem mistérios, tem histórias, tem surpresas, tem imprevistos, tem estratégia, tem descobertas, tem surpresas.

Preparar uma receita tem mãos, tem olhares, tem suspiros, tem bocas, tem braços, tem corpos.

Preparar uma receita tem cheiro, tem gosto, tem cor, tem textura, tem consistência, tem resistência.

Preparar uma receita tem dedicação, tem poesia em cada gesto, em cada aroma, em cada sabor.

Fragmentos de pensamentos:

Ser feliz é uma decisão. Não somos felizes por que coisas acontecem aleatoriamente. Somos felizes porque assim desejamos e queremos. Ainda que tenhamos momentos de tristeza, provocados por acontecimentos ou sentimentos, momentos de saudades, momentos de raiva, momentos de melancolia, momentos de ausência, seremos sempre felizes, desde que assim, queiramos.

"Teus beijos eu caçava feito borboletas.
Coleções coloridas guardadas na caixinha da minha boca…
colori as nuvens todas. pintei um arco-íris de te fazer sorrir..
Espalha teus beijos pelo vento.. quero roubá-los cor, na tela invisível da minha boca…
Teu corpo sobre a terra e sob a chuva e o céu..
tu, como a justa metade de todas as proporções."
Por: Daniela Possamai

Salada de Pão



Usei sobras de Pão Francês, mas podem ser usados outros tipos de pão. Vinho Tinto a sua escolha, Pepino cortado em fatias, folhas de Rúcula, lavadas e picadas com a mão, folhas de Manjericão lavadas e Sal e Azeite a gosto.

Corte o pão em rodelas e em uma tigela, umedeça-o no vinho. Deixe descansar.

Em uma saladeira, arrume as folhas de rúcula e sobre elas, o pão umedecido no vinho. Arrume as fatias de pepino e por sobre elas, as folhas de manjericão. Borrife água com sal e regue com azeite. Deixe descansar para que cada elemento se familiarize com o outro, antes de servir.

Destaque para as cores: bordô com verde.



Pernil no Vinho com Alecrim



Você vai usar um pedaço de Pernil de Porco com aproximadamente 1kg, Vinho Tinto à gosto, dez dentes de Alho, Sal a gosto, galhos de Alecrim, Azeite a gosto, Pimenta do Reino moída na hora a gosto e Cravo a gosto.

Deixe o pernil marinando no vinho de um dia para o outro. No dia seguinte, ele estará com uma deliciosa cor bordô.

Para preparar a pasta de alho, descasque os alhos, retire o miolo e soque-os. Adicione o azeite aos poucos, sempre socando e misturando. Adicione o sal e a pimenta do reino. Misture e soque o alho até conseguir uma mistura homogênea. Repare nos aromas.

Espalhe a pasta de alho sobre o pernil. Faça cortes ao comprido e dentro dos cortes, coloque os galhos de alecrim e os cravos.

Coloque o pernil em um refratário e regue-o com o vinho em que marinou. Envolva o refratário em papel alumínio.

Leve ao forno em 220º de temperatura e deixe assar por uma hora. Retire o papel alumínio e vire o pernil. Nesse momento, você pode adicionar batatas pré-cozidas para terminar de assar junto com o pernil.

Depois de uma hora, vire novamente o pernil e repita essa operação de 15 em 15 minutos, até que o pernil esteja pronto (aproximadamente, mas 30 minutos). Repare no aroma que se espalha pela cozinha ao longo do processo.




Schiacciata Toscana, ou, Pão Chato Toscano



Rende 2 pães chatos de 40cm.

Separe uma colher de sopa de Fermento Seco, uma colher de chá de Açúcar Mascavo, duas xícaras e meia de Água morna, meia xícara de Azeite extravirgem, três colheres de chá de Sal, seis xícaras e meia de Farinha de Trigo, uma xícara de Fuba moído fino, duas colheres de sopa de folhas de Alecrim frescas bem picadas e Sal Grosso.


Em uma tigela grande, misture o fermento e o açúcar com a água morna, mexendo até que os grãos de açúcar estejam dissolvidos. Cubra com filme plástico e deixe o fermento ganhar força por 10 minutos.

Misture o azeite com o sal e acrescente fermento. Comece a acrescentar a farinha, uma xícara por vez, mexendo bem a cada uma. Junte o fubá de uma vez só e misture para formar uma massa macia e seca. Acrescente mais farinha – uma colher de sopa de cada vez – se a massa ainda estiver grudando. Jogue a massa sobre uma superfície levemente polvilhada e sove-a por 10 minutos. Ponha a massa em uma tigela limpa e levemente untada com azeite e cubra com um pano de prato. Deixe a massa crescer durante uma hora ou até dobrar de tamanho.

Libere o ar da massa com um soco firme, divida-a ao meio e estique cada parte na superfície de uma forma de 30cm levemente untada com azeite e polvilhada com fubá. A massa vai oferecer alguma resistência, mas não ceda à tentação de usar um rolo de massa. Com a ponta dos dedos, empurre a massa para as bordas da forma e deixe-a descansar.

Volte depois de alguns minutos e estique-a novamente até as bordas. A essa altura, a massa terá descansado o suficiente e deverá se deixar moldar por suas mãos. Cubra as schiacciate com panos de prato limpos e deixe-as crescer por meia hora. Enquanto isso, preaqueça o forno a 220º.

Depois que a massa tiver crescido pela segunda vez, feche os punhos e amasse os pães com os nós dos dedos, “apertando-os” e criando pequenas cavidades. Borrife sobre as schiacciate o azeite, que ficará preso nas cavidades, depois, espalhe o alecrim e o sal grosso. Cozinhe as schiacciate por 20 a 25 minutos ou até que estejam bem douradas. Tire os pães assados das formas e ponha-os sobre grelhas para que esfriem.

Usando um pincel de confeiteiro, passe umas gotas de azeite sobre os pães ainda quentes.

Sirva morno ou em temperatura ambiente. Tradicionalmente, em vez de serem fatiadas, as schiacciate são quebradas e passadas de mão em mão na mesa.



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